{"id":105,"date":"2019-07-25T02:31:01","date_gmt":"2019-07-25T05:31:01","guid":{"rendered":"http:\/\/joseodeveza.com.br\/?post_type=rara-portfolio&#038;p=105"},"modified":"2020-06-28T15:41:57","modified_gmt":"2020-06-28T18:41:57","slug":"judiciario-tem-historico-de-altos-faturamentos-com-palestras","status":"publish","type":"rara-portfolio","link":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/portfolio\/judiciario-tem-historico-de-altos-faturamentos-com-palestras\/","title":{"rendered":"Judici\u00e1rio t\u00eam hist\u00f3rico de altos faturamentos com palestras"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ministros costumam ganhar mais de R$ 60 mil por palestras em grandes empresas. Norma que torna l\u00edcita a rela\u00e7\u00e3o indevida entre empresas e ju\u00edzes \u00e9 obst\u00e1culo para independ\u00eancia da justi\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>*Por Jos\u00e9 Odeveza, com supervis\u00e3o de Lizely Borges<br>Via: <a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/2019\/07\/24\/judiciario-tem-historico-de-altos-faturamentos-com-palestras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JusDh<\/a><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2019\/07\/palestra-jose-cruz-agencia-brasil.jpg\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"649\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/palestra-jose-cruz-agencia-brasil-1024x649.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-106\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/palestra-jose-cruz-agencia-brasil-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/palestra-jose-cruz-agencia-brasil-300x190.jpg 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/palestra-jose-cruz-agencia-brasil-768x487.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Bras\u00edlia &#8211; O juiz federal S\u00e9rgio Moro, o ministro do STF, Lu\u00eds Roberto Barroso, e o procurador Deltan Dallagnol, participam da palestra Democracia, Corrup\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a, no UniCEUB (Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O esc\u00e2ndalo em torno da empresa do procurador da Rep\u00fablica, Deltan Dallagnol, coordenador da for\u00e7a-tarefa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, pela realiza\u00e7\u00e3o de palestras, levanta novamente o tema das rela\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias indevidas das empresas no sistema de justi\u00e7a. O centro da recente den\u00fancia feita pelo portal The Intercept e a Folha de S\u00e3o Paulo mostra que Dallagnol montou um plano de neg\u00f3cios para lucrar com eventos e palestras na esteira da fama e dos contatos conseguidos durante a Opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2019\/07\/dallagnol-pede-passagem-e-hotel-para-ferias-da-familia-no-beach-park.shtml\">coluna de M\u00f4nica Bergamo<\/a>, da Folha, o procurador justificou que&nbsp; ministrar palestras n\u00e3o \u00e9 uma atividade proibida para integrantes do judici\u00e1rio: \u201cPalestras remuneradas s\u00e3o pr\u00e1tica comum no meio jur\u00eddico por parte de autoridades p\u00fablicas e em outras profiss\u00f5es\u201d, disse o procurador.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Dallagnol tem sido apontada nas reportagens como a atividade de gerenciamento de empresas, o que \u00e9 vedado dentro das carreiras dos membros do Judici\u00e1rio. Segundo as reportagens, a empresa de Dallagnol chegou a ter uma m\u00e9dia uma m\u00e9dia de rendimentos de R$ 400 mil anuais em palestras.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de agentes do Judici\u00e1rio na realiza\u00e7\u00e3o de palestras, cobrando altos valores, n\u00e3o \u00e9 um acontecimento isolado e tem sido objeto de den\u00fancia da Articula\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a e Direitos Humanos (JusDh) h\u00e1 v\u00e1rios anos. Como relatado pela Articula\u00e7\u00e3o em momentos passados, outros membros da justi\u00e7a brasileira ficaram conhecidos por receberem altas cifras para darem palestras grandes corpora\u00e7\u00f5es e congressos. (veja na pr\u00f3xima sess\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2019\/07\/barroso.png\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/barroso.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-110\" width=\"286\" height=\"156\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/barroso.png 660w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/barroso-300x164.png 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/barroso-110x60.png 110w\" sizes=\"(max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O caso mais recente que tamb\u00e9m foi denunciado pela JusDh para a Ag\u00eancia P\u00fablica, aconteceu em 2018, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lu\u00eds Roberto Barroso, recebeu R$ 46,8 mil por uma palestra na Escola Superior de Contas do Tribunal de Contas de Rond\u00f4nia (TCE-RO). O contrato foi negociado pela empresa Supercia Capacita\u00e7\u00e3o e Marketing. O ministro, na \u00e9poca, disse que n\u00e3o havia feito a palestra, mas constava no Di\u00e1rio Oficial do Tribunal de Contas do Estado de Rond\u00f4nia a contrata\u00e7\u00e3o de palestra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2019\/07\/joaquim-barbosa.png\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-108\" width=\"334\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-1024x683.png 1024w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-300x200.png 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-768x512.png 768w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-1536x1024.png 1536w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-2048x1366.png 2048w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/joaquim-barbosa-90x60.png 90w\" sizes=\"(max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, tamb\u00e9m \u00e9 um dos exemplos de personalidades questionadas pelas suas remunera\u00e7\u00f5es com palestras. A Revista F\u00f3rum mostrou que o ex-ministro recebeu R$60 mil da C\u00e2mara de Vereadores de Itaja\u00ed (SC) por uma palestra sobre \u201c\u00c9tica e Administra\u00e7\u00e3o\u201d realizada no ano de 2015. Na \u00e9poca, Barbosa exigiu o sigilo do valor cobrado pela palestra e a liberdade de deixar de responder a perguntas consideradas \u201cinadequadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2019\/07\/gilmar.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/gilmar.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-111\" width=\"298\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/gilmar.png 1024w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/gilmar-300x185.png 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/gilmar-768x475.png 768w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/gilmar-97x60.png 97w\" sizes=\"(max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o ministro Gilmar Mendes, tamb\u00e9m do STF, recebeu R$60 mil por uma palestra de uma hora no encerramento do curso \u2018Aperfei\u00e7oamento e Atualiza\u00e7\u00e3o nos Fundamentos e Procedimentos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica\u2019, segundo&nbsp;<a href=\"http:\/\/diegoemir.com\/2017\/04\/governo-flavio-dino-pagou-r60-mil-por-palestra-de-ministro-stf-professor-ganha-r-3115-por-hora\/\">den\u00fancia<\/a>&nbsp;no blog Diego Emir. O curso foi organizado pela Escola de Governo do Maranh\u00e3o, em parceria com o Instituto Brasileiro de Direito P\u00fablico (IDP), que \u00e9 de propriedade de Gilmar Mendes. O valor recebido pelo ministro estava incluso nos R$1.446.966,40 pagos \u00e0 sua faculdade. A den\u00fancia Os tr\u00eas casos acima mostram a atua\u00e7\u00e3o de ministros em parceria com outros entes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta parceria entre integrantes do sistema de justi\u00e7a tamb\u00e9m se estende para rela\u00e7\u00f5es com o setor privado, o que \u00e9 nomeado como \u201ccaptura corporativa\u201d por atores que monitoram a a\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio. A JusDh tem destacado 3 principais a\u00e7\u00f5es como captura corporativa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<strong>Patroc\u00ednio de eventos da magistratura<\/strong>, por meio do qual as empresas financiam e participam ativamente de congressos, semin\u00e1rios e cursos para ju\u00edzes, desembargadores e ministros;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<strong>Pagamento de honor\u00e1rios<\/strong>&nbsp;para realiza\u00e7\u00e3o de palestras em eventos promovidos pelas empresas;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<strong>Suspens\u00e3o de Seguran\u00e7a<\/strong>&nbsp;como instrumento jur\u00eddico para viabilizar no \u00e2mbito judicial a realiza\u00e7\u00e3o, por exemplo, de grandes projetos e megaeventos;<\/p>\n\n\n\n<p>Em reportagem especial a Folha de S\u00e3o Paulo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/paywall\/signup.shtml?https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2015\/09\/1678348-banco-paga-palestras-de-juizes-do-trabalho-que-julgam-seus-processos.shtml\">divulgou<\/a>&nbsp;que quatro ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) receberam, por exemplo, pagamentos do Bradesco para proferir palestras para o Banco em 2013. No entanto, desconsiderando a rela\u00e7\u00e3o comercial entre os envolvidos, os ministros n\u00e3o se declararam impedidos de julgar processos que t\u00eam o banco como parte na mesma \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais se destaca dentre os ju\u00edzes do TST \u00e9 o caso do atual presidente do Tribunal Superior, Jo\u00e3o Batista Brito Pereira, que, em dois anos e meio, recebeu R$161,8 mil do Bradesco pela realiza\u00e7\u00e3o de um conjunto de 12 palestras entre 2013 e 2015. Na \u00e9poca, Brito Pereira era relator de dez processos movidos contra o banco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os outros tr\u00eas magistrados que receberam do Bradesco s\u00e3o o ministro do TST, Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Barros Levenhagen, que ganhou R$12 mil por uma palestra e aparece como relator de seis casos envolvendo o Banco; Guilherme Augusto Caputo Bastos, R$72 mil por seis palestras, 170 a\u00e7\u00f5es relatadas; e M\u00e1rcio Eurico Vitral Amaro, que relata 152 processos, mas que n\u00e3o informa quanto recebeu do Banco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Patroc\u00ednio de eventos da magistratura e a autonomia dos ju\u00edzes<\/strong><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2018\/05\/amb-capa-1.jpg\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Joka Maruga\/Terra Sem males<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"445\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/amb-capa-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-109\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/amb-capa-1.jpg 800w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/amb-capa-1-300x167.jpg 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/amb-capa-1-768x427.jpg 768w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/amb-capa-1-108x60.jpg 108w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Foto: Joka Maruga\/Terra Sem males<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro exemplo do que \u00e9 categorizado como captura corporativa \u00e9 o financiamento de eventos da magistratura por empresas que possuem uma grande demanda na Justi\u00e7a brasileira. Em geral, os congressos das associa\u00e7\u00f5es de magistrados s\u00e3o patrocinados por empresas em resorts e hot\u00e9is de luxo, reunindo milhares de ju\u00edzas e ju\u00edzes para palestras e forma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entenda como funciona a captura corporativa:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/files\/2019\/07\/info-captura.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura-456x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-107\" width=\"594\" height=\"1334\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura-456x1024.png 456w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura-134x300.png 134w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura-684x1536.png 684w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura-27x60.png 27w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/info-captura.png 702w\" sizes=\"(max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os congressos se assemelham muito com uma das palestras denunciadas no caso do procurador Deltan Dallagnol. Segundo o \u00e1udio vazado, o procurador exigiu, para dar uma palestra, a passagem e estadia para filhos e mulher usufru\u00edrem do Beach Park, o maior parque aqu\u00e1tico na Am\u00e9rica Latina que fica no litoral do Cear\u00e1. Valor da palestra: R$ 30 mil. Assunto da palestra: combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo Congresso da Associa\u00e7\u00e3o de Magistrados do Brasil (AMB), realizado em 2018 em Macei\u00f3, a JusDh reuniu um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es sociais e movimentos populares para reivindicar um novo modelo justi\u00e7a mais transparente e democr\u00e1tico. Conjuntamente com os atores locais, a Articula\u00e7\u00e3o realizou uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/2018\/05\/21\/para-denuncia-da-relacao-estreita-entre-empresas-e-judiciario-organizacoes-sociais-realizam-em-maceio-al-atividades-sobre-justica-e-direitos-humanos\/\">atividade contraponto<\/a>&nbsp;ao Congresso da AMB. A agenda dos magistrados reuniu milhares de magistrados em um resort patrocinado pela Qualicorp \u2013 Solu\u00e7\u00f5es em Sa\u00fade. A corpora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de sa\u00fade \u00e9, com frequ\u00eancia, questionada perante os tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde est\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os de controle?<br><\/strong>A Lei Org\u00e2nica da Magistratura, norma que define regras para a organiza\u00e7\u00e3o dos tribunais e o trabalho dos ju\u00edzes e magistrados, aponta no artigo 26 par\u00e1grafo II inciso 1\u00ba que&nbsp;<em>O \u201cexerc\u00edcio de cargo de magist\u00e9rio superior, p\u00fablico ou particular, somente ser\u00e1 permitido se houver correla\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias e compatibilidade de hor\u00e1rios, vedado, em qualquer hip\u00f3tese, o desempenho de fun\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o administrativa ou t\u00e9cnica de estabelecimento de ensino\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Procurador Deltan, o exerc\u00edcio de outras atividades \u00e9 regulamentado pela&nbsp;&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cnmp.mp.br\/portal\/images\/Resolucoes\/Resolu%C3%A7%C3%A3o-132.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 133<\/a>, de 22 de setembro de 2015 do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico (CNMP). O texto veda o exerc\u00edcio de qualquer atividade por membros no MP, exceto as pr\u00e1ticas docentes.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o CNJ, ao definir o que pode ser considerado atividade docente, permitiu n\u00e3o s\u00f3 a participa\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes como palestrantes de eventos, ainda que realizados por empresas, bancos e entidades com fins lucrativos, como tamb\u00e9m autorizou o pagamento de honor\u00e1rios pelas \u201caulas\u201d e \u201cpalestras\u201d, explica Luciana Pivato, advogada e coordenadora da Terra de Direitos, organiza\u00e7\u00e3o integrante da JusDh. De acordo com as regras estabelecidas nas Resolu\u00e7\u00f5es 170\/2013 e 34\/2007 (alterada em 2016), o juiz deve apenas comunicar o Tribunal, cabendo ao CNJ acompanhar e avaliar periodicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciana recorda que desde 2013 a JusDh incide junto ao CNJ em busca da proibi\u00e7\u00e3o do pagamento de honor\u00e1rios para palestras e do patroc\u00ednio por parte de entidades com fins lucrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 2016 enviamos nova den\u00fancia \u00e0 ent\u00e3o presidente do CNJ, ministra Carmem L\u00facia, sobre a inefic\u00e1cia da&nbsp; Resolu\u00e7\u00e3o 170\/2013 no que diz respeito ao patroc\u00ednio de eventos. Para a Articula\u00e7\u00e3o, as normas criadas pelo Conselho deixam lacunas&nbsp; e n\u00e3o impedem a influ\u00eancia indevida dos setores privados lucrativos no judici\u00e1rio. As regras n\u00e3o garantem a transpar\u00eancia e a independ\u00eancia judicial. Para piorar, o CNJ suspendeu, sob argumento inconsistente de estar pendente de julgamento o Mandado de Seguran\u00e7a 32040 que contesta a Resolu\u00e7\u00e3o, o monitoramento da norma. A suspens\u00e3o significa dizer que nem mesmo as regras fr\u00e1geis criadas v\u00eam sendo aplicadas corretamente\u201d, aponta Luciana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a JusDh, a fragilidade normativa tem \u201caberto portas\u201d para influ\u00eancia indevida de empresas, como fica expl\u00edcito no caso do Dallagnol: agentes da lei tem enxergado dentro das atividades l\u00edcitas, como o pagamento de honor\u00e1rios, a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de atividades il\u00edcitas, ou seja, procuradores que gerenciam empresas<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tema da captura corporativa dos integrantes do sistema de justi\u00e7a tamb\u00e9m foi&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jusdh.org.br\/2018\/04\/18\/jusdh-denuncia-influencia-de-empresas-no-judiciario-brasileiro-para-relator-na-onu\/\">denunciado<\/a>&nbsp;ao relator de independ\u00eancia judicial da Organiza\u00e7\u00e3o da Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>*Fotos dos Ministros retiradas do Portal do STF<br>*Infogr\u00e1fico produzido pela Comunica\u00e7\u00e3o JusDh<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministros costumam ganhar mais de R$ 60 mil por palestras em grandes empresas. Norma que torna l\u00edcita a rela\u00e7\u00e3o indevida entre empresas e ju\u00edzes \u00e9 obst\u00e1culo para independ\u00eancia da justi\u00e7a *Por Jos\u00e9 Odeveza, com supervis\u00e3o de Lizely BorgesVia: JusDh O esc\u00e2ndalo em torno da empresa do procurador da Rep\u00fablica, Deltan Dallagnol, coordenador da for\u00e7a-tarefa da &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":112,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","rara_portfolio_categories":[8],"class_list":["post-105","rara-portfolio","type-rara-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","rara_portfolio_categories-internet"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/rara-portfolio\/105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/rara-portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/rara-portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"rara_portfolio_categories","embeddable":true,"href":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/rara_portfolio_categories?post=105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}