{"id":246,"date":"2020-08-06T16:30:00","date_gmt":"2020-08-06T19:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/joseodeveza.com.br\/?post_type=rara-portfolio&#038;p=246"},"modified":"2020-08-13T09:25:34","modified_gmt":"2020-08-13T12:25:34","slug":"na-pandemia-dificuldade-no-acesso-a-internet-e-desafio-para-organizacao-e-educacao-quilombola-em-santarem-pa","status":"publish","type":"rara-portfolio","link":"https:\/\/joseodeveza.com.br\/index.php\/portfolio\/na-pandemia-dificuldade-no-acesso-a-internet-e-desafio-para-organizacao-e-educacao-quilombola-em-santarem-pa\/","title":{"rendered":"Na pandemia, dificuldade no acesso \u00e0 internet \u00e9 desafio para organiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o quilombola em Santar\u00e9m-PA"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Par\u00e1 lidera casos de Covid em quilombos. Federa\u00e7\u00e3o Quilombola de Santar\u00e9m destaca que alimentos e informa\u00e7\u00f5es t\u00eam sido levados por iniciativas solid\u00e1rias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jos\u00e9 Odeveza<br>Via: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/noticias\/noticias\/na-pandemia-dificuldade-no-acesso-a-internet-e-desafio-para-organizacao-e-educacao-quilombola-em-santarempa\/23442\" target=\"_blank\">Terra de Direitos<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"537\" src=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/106895031_122734992817976_8783397774750140907_n1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-247\" srcset=\"https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/106895031_122734992817976_8783397774750140907_n1.png 960w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/106895031_122734992817976_8783397774750140907_n1-300x168.png 300w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/106895031_122734992817976_8783397774750140907_n1-768x430.png 768w, https:\/\/joseodeveza.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/106895031_122734992817976_8783397774750140907_n1-107x60.png 107w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption><em>Grupo de trabalho de enfrentamento a Covid-19 do projeto OMOLU &#8211; Arquivo FOQS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Perto das 100 mil mortes no pa\u00eds, as insuficientes medidas de conten\u00e7\u00e3o do aumento exponencial dos casos da Covid-19 t\u00eam se mostrado&nbsp;pouco eficazes. O pico da doen\u00e7a estimado inicialmente para o m\u00eas de abril se arrasta ao longo de 2020 e registra at\u00e9 o momento mais de mil mortes di\u00e1rias e cerca de 2,6 milh\u00f5es de infectados confirmados no Brasil. Entre os povos e comunidades tradicionais, o n\u00famero de casos e mortes incide&nbsp;com maior intensidade os povos quilombolas, principalmente comunidades remanescentes do estado do Par\u00e1. Al\u00e9m de resistirem \u00e0 falta de pol\u00edticas p\u00fablicas emergenciais&nbsp; espec\u00edficas para os povos quilombolas, os problemas tecnol\u00f3gicos, como baixo sinal de telefone e internet, tamb\u00e9m dificultam articula\u00e7\u00e3o interna para conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a nos quilombos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A secret\u00e1ria da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Quilombolas de Santar\u00e9m (FOQS) &#8211; que representa 12 quilombos da regi\u00e3o -, Miriane Costa Coelho, da Comunidade Nova Vista do Ituqui, denuncia a falta de a\u00e7\u00e3o do estado na circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de combate \u00e0 doen\u00e7a nas comunidades. Ela relata a dificuldade quem tem sido levar informa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para as diferentes realidades dos quilombos de Santar\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInfelizmente n\u00f3s n\u00e3o tivemos tanto apoio em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados contra esse v\u00edrus, aqui poucos s\u00e3o os quilombos que possuem sinal de TV aberta. Nos comunicamos pelo r\u00e1dio e em outros casos foram as lideran\u00e7as dos quilombos que realizaram esse trabalho de levar as informa\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos dificuldade de contato principalmente em quilombos muito distantes como de Surubiu-A\u00e7u e Patos do Ituqui, mas mesmo os mais pr\u00f3ximos n\u00e3o temos conseguido contato imediato\u201d,&nbsp; relata Miriane.&nbsp;<br><br>Miriane destaca que existe uma grande dificuldade em executar a\u00e7\u00f5es contra o avan\u00e7o da doen\u00e7a com o isolamento social. Al\u00e9m disso a Federa\u00e7\u00e3o, seguindo seu estatuto, teve que fazer uma elei\u00e7\u00e3o para uma nova diretoria em meio ao desafio da pandemia.&nbsp; \u201cVenho dizendo nos espa\u00e7os que esse modelo de se organizar [\u00e0 dist\u00e2ncia] n\u00e3o nos contempla. Nos quilombos n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet e muitas vezes nem \u00e0 telefonia. A FOQS montou uma comiss\u00e3o executiva que opera principalmente com quilombolas que est\u00e3o fora do risco, para preservando as nossas lideran\u00e7as mais velhas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Miriane o trabalho que tem sido realizado pelos coletivos das comunidades tem levado alimentos, kits de higiene e informa\u00e7\u00e3o para as comunidades para minimizar os impactos da pandemia. \u201cA FOQS , conjuntamente com parceiros, est\u00e1 desenvolvendo o Projeto OMULU &#8211; Terra de Quilombo, que antes era um projeto de aquisi\u00e7\u00e3o de kits de higiene b\u00e1sica e de informa\u00e7\u00e3o, e que hoje ele ganhou uma outra dimens\u00e3o. Nele fazemos um mapeamento da situa\u00e7\u00e3o dos casos da Covid-19 nos quilombos &#8211; isso tudo uma parceria com as lideran\u00e7as dos quilombos -, e assim n\u00f3s podemos tamb\u00e9m monitorar a situa\u00e7\u00e3o dos casos da Covid-19\u201d.&nbsp;<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viola\u00e7\u00f5es de direitos e avan\u00e7o de empreendimentos&nbsp;&nbsp;<\/strong><br><br>Segundo relato de Miriane, a nova diretoria da FOQS j\u00e1 pensa nas dificuldades que se intensificam agora no segundo semestre do ano com a continuidade do isolamento social. Atualmente as crian\u00e7as e jovens n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as escolas est\u00e3o fechadas e as aulas virtuais s\u00e3o irreais para o contexto dos quilombolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s estamos no momento de planejamento das atividades, mas te confesso que est\u00e1 sendo muito dif\u00edcil. Estamos trabalhando em contato principalmente com 6 pessoas, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es da Secretaria de Sa\u00fade do munic\u00edpio. As aulas est\u00e3o suspensas, mas a amea\u00e7a da volta sobre ensino \u00e0 dist\u00e2ncia traz um risco alto, n\u00e3o \u00e9 a nossa realidade uma aula \u00e0 dist\u00e2ncia, tanto para alunos de rede de ensino fundamental e m\u00e9dio quanto para os alunos quilombolas que est\u00e3o na universidade P\u00fablica a Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1-Ufopa\u201d, refor\u00e7a Miriane. \u201cE ainda tem esses inimigos que nos acercam de todos os lados, n\u00f3s sabemos que eles est\u00e3o se articulando, mas n\u00f3s hoje estamos mais de olhos abertos\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades do estado do Par\u00e1 redobram a aten\u00e7\u00e3o contra empreendimentos que, diante&nbsp; da baixa fiscaliza\u00e7\u00e3o do estado, se aproveitam da conjuntura para avan\u00e7ar no desenvolvimento de projetos que degradam a natureza e os territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades temem os impactos da constru\u00e7\u00e3o de dois grandes portos na \u00e1rea do lago do Maic\u00e1. Um deles \u00e9 idealizado pela empresa Atem\u2019s Distribuidora de Petr\u00f3leo. Com obras j\u00e1 iniciadas que tiveram continuidade em meio \u00e0 pandemia, a constru\u00e7\u00e3o do porto&nbsp; de combust\u00edveis<a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/noticias\/noticias\/justica-federal-suspende-licencas-e-paralisa-obra-de-porto-de-combustivel-no-lago-maica-em-santarem-pa\/23336\">&nbsp;foi paralisada pela Justi\u00e7a Federal&nbsp;<\/a>em maio deste ano, por irregularidades &#8211; entre elas a falta de Consulta Pr\u00e9via, Livre e Informada entre as comunidades quilombolas, pescadoras e ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E o segundo est\u00e1 sendo feito pela Empresa Brasileira de Portos Santar\u00e9m (Embraps) com o objetivo de escoar a produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do Planalto Santareno, sua obra est\u00e1 suspensa pela Justi\u00e7a Federal desde 2016 por den\u00fancia Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) tamb\u00e9m&nbsp; por aus\u00eancia de consulta adequada \u00e0s comunidades tradicionais atingidas pelas obras.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estado omisso e desafios ao isolamento social&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente os povos e comunidade tradicionais reivindicam do Congresso Nacional a derrubada dos vetos feitos pelos presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no projeto de Lei 1142\/2020 que prev\u00ea medidas de apoio e prote\u00e7\u00e3o em resposta a demandas dos povos ind\u00edgenas, comunidades quilombolas e povos e comunidades tradicionais no contexto de pandemia no Brasil. Ap\u00f3s atrasar a san\u00e7\u00e3o do PL, Bolsonaro vetou pontos da lei que tornam praticamente in\u00f3cuas todas as medidas inicialmente previstas na medida legislativa .&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as medidas inicialmente previstas e n\u00e3o presentes na lei sancionada, temos o acesso universal \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, bem como a bens e insumos b\u00e1sicos de higiene, al\u00e9m de apoio para o escoamento e amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dessas comunidades, para garantia de soberania alimentar.&nbsp;<a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/acervo\/artigos\/vetos-ao-pl-1142-nao-a-uma-politica-de-combate-a-covid19-para-quilombolas-indigenas-e-povos-tradicionais\/23429\">Confira a an\u00e1lise<\/a>&nbsp;da Terra de direitos sobre o \u201cpacto\u201d entre minist\u00e9rios e Presid\u00eancia para invalidar demandas dessas popula\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, o cen\u00e1rio com poucas a\u00e7\u00f5es do estado piora a cada dia. Segundo o&nbsp;<a href=\"http:\/\/conaq.org.br\/noticias\/boletim-epidemiologico-29-de-julho\/\">boletim<\/a>&nbsp;epidemiol\u00f3gico divulgado pela Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (Conaq) nesta \u00faltima quarta (29), foram confirmados 3.798 casos de Covid-19 nas comunidades remanescentes de quilombos. E o Par\u00e1 responde pela maioria dos casos de Covid-19, com 40,5% dos casos notificados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A FOQS representa 12 comunidades quilombolas da Regi\u00e3o de Santar\u00e9m: P\u00e9rola de Maic\u00e1;&nbsp; Arapem\u00e3; Saracura; Nova Vista;&nbsp; S\u00e3o Raimundo; S\u00e3o Jos\u00e9;&nbsp; Patos do Ituqui; Bom Jardim; Murumurutuba;&nbsp; Murumuru;&nbsp; Tiningu;&nbsp; Surubiu-A\u00e7\u00fa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Miriane, a nova diretoria da FOQS&nbsp; para o per\u00edodo de 2020 a 2022 ser\u00e1 composta por Maria Alba Vasconcelos, na 2\u00aa secretaria; Raimundo da Silva Mota e Andr\u00e9 Lopes Cardoso, como 1\u00aa e 2\u00ba tesoureiro, respectivamente. M\u00e1rio Augusto Pantoja de Sousa, como&nbsp;presidente. A composi\u00e7\u00e3o completa pode ser vista no&nbsp;<a href=\"http:\/\/quilombolasdesantarem.blogspot.com\/p\/direcao-e-equipe.html\">site<\/a>&nbsp;da FOQS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Par\u00e1 lidera casos de Covid em quilombos. Federa\u00e7\u00e3o Quilombola de Santar\u00e9m destaca que alimentos e informa\u00e7\u00f5es t\u00eam sido levados por iniciativas solid\u00e1rias Por: Jos\u00e9 OdevezaVia: Terra de Direitos Perto das 100 mil mortes no pa\u00eds, as insuficientes medidas de conten\u00e7\u00e3o do aumento exponencial dos casos da Covid-19 t\u00eam se mostrado&nbsp;pouco eficazes. 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